O pequeno comércio prevalece. Menos no Tatuapé

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O pequeno comércio prevalece. Menos no Tatuapé

Mensagem  Skank em Qui Jan 17, 2008 12:57 pm

O pequeno comércio prevalece. Menos no Tatuapé

A maior parte da Zona Leste está estagnada, segundo os distritais da ACSP. A exceção é o Tatuapé, que mudou de perfil: 70% dos associados são prestadores de serviço

Por Clarice Chiquetto

Ao contrário de outras regiões da cidade, como a Zona Oeste, em que a prestação de serviços já é a principal atividade econômica, a Leste ainda é dominada pelos pequenos comerciantes. Com exceção do Tatuapé, bairro em franco crescimento e cuja economia já é baseada no setor de serviços, o comércio ainda é a atividade central dos pequenos empresários.

Segundo o diretor superintendente da Distrital Penha da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marco Antônio Jorge, cerca de 60% de seus 1,2 mil associados são do comércio, 35% estão ligados aos serviços e o restante à indústria.

A Penha, aliás, é um bom exemplo da atual situação de boa parte da Zona Leste. O bairro, o mais antigo de São Paulo ao lado de Santo Amaro, está estagnado há vários anos, sem dar mostra de crescimento ou mudanças em um curto período de tempo. “Nossa região está estabelecida, não sofre transformações radicais há um bom tempo. A última foi o Shopping Penha, há 14 anos”, informa Jorge.
Miltom Mansilla/LUZ Patrícia Cruz/LUZ
Miltom Mansilla/LUZ
Miltom Mansilla/LUZ Luiz Prado/LUZ
Luiz Prado/LUZ
Viotto (Mooca), Jorge (Penha), Teixeira (Tatuapé) e Parziale (São Miguel Paulista): domínio de pequenos comerciantes na Zona Leste

Embora agrade a muitos moradores, por manter o clima interiorano, a estagnação é um problema para quem quer e precisa do desenvolvimento da região. “Temos alguns projetos para reativar. O turismo religioso da Penha é um exemplo. Há pouco menos de vinte anos era muito forte e hoje praticamente acabou”, conta Jorge.

A idéia é fazer com que as comemorações da Nossa Senhora da Penha, padroeira “informal” da cidade de São Paulo, em setembro, sejam lembradas como a festa da Nossa Senhora Achiropita, no Bixiga, e atraiam visitantes de toda a cidade.

A Mooca apresenta situação muito parecida, com a diferença de que o setor de serviços já teve um bom crescimento e divide com o comércio o primeiro lugar na atividade econômica dos 2,1 mil associados da Distrital - o setor industrial fica com apenas 5%, todas localizadas nos bairros do Brás e do Belenzinho, também abrangidos por esta distrital.

Apesar disso, a Mooca também é considerada um bairro estabilizado, que começa a crescer verticalmente, mas de forma gradual. “Não podemos dizer que há um boom imobiliário aqui. O que ocorre é que quem mora na Mooca gosta muito da qualidade de vida do bairro, que tem um dos menores índices de violência da cidade, por exemplo, e não quer sair. Então, uma hora, precisava haver esse crescimento vertical, pois não há mais espaço para casas”, explica o superintendente da Distrital, Antônio Viotto Netto.

Esta ausência de locais para a construção de novas moradias está diretamente ligada ao principal problema da região, segundo o superintendente: a falta de áreas verdes. Do alto de um prédio de dez andares, na frente da distrital, de onde se enxerga o bairro todo, é possível comprovar: árvore, apenas onde está a subprefeitura da Mooca. No restante, só concreto - especialmente casas térreas e uns poucos prédios em construção.

Em São Miguel, no extremo da cidade, a predominância do comércio é ainda maior. Aproximadamente 80% da economia são movimentados por comerciantes que, essencialmente, abastecem a população local. Os prestadores de serviço, em geral atrelados ao comércio, são apenas 15% - as indústrias, os outros 5%.

Mas o superintendente da distrital do bairro, José Parziale Rodrigues, acredita que São Miguel vai sofrer mudanças positivas em um curto período de tempo (cerca de quatro anos), em virtude da instalação da USP-Leste nas redondezas do bairro. As aulas da faculdade começam este ano e o efeito de sua instalação já começou a ser sentido com o surgimento de bares e novos empreendimentos em seu contorno.

O bairro do Tatuapé é o único que foge à regra da falta de mudanças e do predomínio do comércio. Lá, os prestadores de serviço já são 70% dos 1,7 mil associados da distrital da ACSP e a região está em franco crescimento há cerca de cinco anos - a porcentagem de indústrias também é maior, 10%. Um exemplo desse desenvolvimento é o Jardim Anália Franco, de alto padrão, considerado o Morumbi da Zona Leste.

Os vários shoppings instalados na região, como o Metrô Tatuapé, o Anália Franco e o Sílvio Romero, também contribuíram com esse quadro. “Antes da chegada do Metrô Tatuapé, os comerciantes de rua estavam temerosos com o que poderia acontecer, acreditavam que suas vendas seriam drasticamente reduzidas e teriam de fechar as portas. Mas ocorreu o contrário. O shopping trouxe consumidores de toda a cidade para cá, que aproveitam para comprar nas ruas ao redor do metrô”, diz o superintendente da distrital, Antônio Sampaio Teixeira.

Também nessa região, assim como em outros centros comerciais da cidade, os ambulantes representam um grande problema para os comerciantes. “Já entregamos para o subprefeito nosso pedido para que os camelôs sejam removidos e a rua Tuiuti restaurada”, conta Teixeira.

Outro motivo para o crescimento, segundo o superintendente, é o fato de a região do Tatuapé ainda ter muitos espaços para a construção de novos empreendimentos: “Tivemos sorte de nossos espaços vazios não serem tomados por favelas ou outras ocupações irregulares. No máximo, eram lixões, que há uns quinze anos começaram a se transformar em condomínios de luxo de casas e apartamentos”.

Com exceção do Tatuapé, considerado pelo superintende muito bem servido, os bairros da Zona Leste sofrem com a falta de transporte e infra-estrutura em geral. Todos os superintendentes citaram que falta metrô, trem e linhas de ônibus para abastecer a população da região, a maior da cidade.

Fonte: Diário do Comércio

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