História da Zona Leste 2

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História da Zona Leste 2

Mensagem  Diego em Qui Jan 17, 2008 12:42 pm

Um francês e sua imagem. Começa assim a saga do leste

Reza a história que uma imagem de Nossa Senhora, de um viajante francês, decidiu plantar moradia na Penha. Vieram religiosos, curiosos, o comércio. Hoje a Zona Leste é uma metrópole de quatro milhões de habitantes

Por Fernando Vieira

Eis uma metrópole, uma das maiores do País. Afinal, são mais de quatro milhões de habitantes, espalhados numa área de 326,8 quilômetros quadrados. Onze subprefeituras, subdivididas em 33 distritos, são responsáveis por sua administração e tentam resolver problemas também gigantescos. Mas esse perfil grandioso e independente do que poderia ser a terceira maior cidade do País corresponde na verdade à descrição de apenas uma parte de São Paulo: a Zona Leste.

O viajante francês perdeu a imagem da santa duas vezes e entendeu que ela queria ficar aqui na Penha

A história dessa região - a mais populosa da Capital - foi construída à base de todos os ingredientes de um enredo rico, permeado de pitadas de fé, conquistas, progresso, decadência, dramas e riquezas.

Os rios Tietê e Aricanduva e seus afluentes, que ao longo dos últimos anos se tornaram sinônimo de enchentes e tragédias para os moradores, um problema dramático na região, tinham em um passado remoto um significado bem diferente - representavam segurança.

Para evitar violentos ataques indígenas que sofriam os grupos de desbravadores que se aventuravam rumo ao leste pelo caminho por terra, as expedições bandeirantes passaram a utilizar os rios como o meio principal para chegar à região. Isso permitiu o avanço no território com mais facilidade e o início de seu povoamento em áreas distantes do centro, como Tatuapé, Penha e São Miguel. Dali se formou, com o passar dos anos, um caminho ainda mais longo, ligando a São Paulo ao Rio de Janeiro.

E é justamente no percorrer deste caminho que tem origem o bairro da Penha, um dos mais tradicionais. Uma passagem marcada por um acontecimento sobrenatural e religioso, segundo a lenda. Conta-se que um viajante francês - cujo nome ficou perdido no tempo - seguia para o Rio de Janeiro e pernoitou pelo local onde é o bairro. Trazia amarrada ao cavalo uma imagem de Nossa Senhora.

No dia seguinte, já adiante na viagem, notou o desaparecimento da imagem. Voltou e encontrou a santa no mesmo lugar onde havia dormido. Guardou-a novamente e continuou sua jornada. Quando anoiteceu, parou para dormir. Ao raiar do dia, deu pela falta da imagem novamente. Voltou pela segunda vez e lá estava ela, no mesmo lugar. Sem hesitar, o francês entendeu que a santa havia escolhido aquele local para ficar e ali ele construiu uma capela para abrigá-la.

A fé nessa crença trouxe o crescimento. Vilas foram se formando ao redor da igreja construída para moradia da imagem. As peregrinações no local fomentaram o comércio. Embora a religiosidade tenha perdido a antiga força, a vocação comercial permaneceu e evoluiu, mantendo-se como uma característica local forte.

Apesar de ter apenas dois anos a menos do que a própria cidade de São Paulo, fundada em 1556, a Mooca, possivelmente o bairro apontado como o mais paulistano por quem é de fora do Estado, praticamente deixou as páginas de sua história em branco por cerca de 300 anos, época de predomínio de chácaras. Passou a ser escrita novamente com a chegada dos imigrantes, que, em grande número, mudaram a cara do bairro por volta de 1870. Empreendimentos começaram a ganhar vida na região, especialmente o Clube Paulista de Corrida de Cavalo, que se tornou um centro de lazer dos paulistanos. A procura pela atração motivou a criação da linha de bonde centro-Mooca, de tração animal, depois substituída por uma linha férrea.

Embora relevante, as corridas foram apenas um detalhe diante de um outro fato fundamental para a região e para São Paulo: a industrialização. As fábricas, principalmente de alimentos e tecidos, começaram a dominar toda a área. A população explodiu e as linhas de trens se espalharam pelo leste. A concentração industrial deixou ainda a marca da primeira greve-geral, em 1917, justamente na Mooca, com início na fábrica do Cotonifício Crespi.

O reflexo da industrialização se deu também sobre as demais áreas da região, com o surgimento de diversos bairros de característica operária, cada vez mais distantes do centro da Capital. A decadência do furor da indústria deixou marcas. Sem sua principal fonte de renda, sem muitos empregos, a Zona Leste ainda tenta se readaptar e enfrentar os inúmeros problemas de uma região que cresceu à base de uma expectativa de sucesso industrial que não perdurou na mesma magnitude.

Fonte: Diário do Comércio

Diego
Convidado


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